Google+ Followers

segunda-feira, 17 de julho de 2017

UMA TARDE NO CINEMA - 2

                                          

                                             

Ontem à tarde, 16/07/2017, fui com a minha amiga Beth, amante das artes, assistir ao filme de Rosemberg Cariry – OS POBRES DIABOS - no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.   

Talvez por trazer consigo o crepúsculo vespertino do dia e do final de semana, quando a luminosidade vai decrescendo lentamente e o manto da noite se faz presente, as tardes de domingo são recheadas de melancolia.  Melancolia se sente ao ver o filme de Rosemberg Cariry que retrata o crepúsculo de um decadente circo mambembe, GRAN CIRCO TEATRO AMERICANO, pelo interior do nordeste brasileiro. No elenco, nomes como: Silvia Buarque (Creuza), Chico Diaz (Lazarino), Gero Camilo (Zeferino) que se destacam por um impetuoso triângulo amoroso.  A deslumbrante fotografia é de Petrus Cariry, filho do cineasta.

Com tons de melancolia e pitadas de comédia, Rosemberg Cariry nos mostra, nessa fita, uma trupe em uma corda bamba tentando sobreviver com sua arte. Uma cena retratando a Santa Ceia, logo no início do filme, é emblemática. No centro da mesa o chefe ladeado pelos integrantes da trupe, comendo tapioca com café nos toca profundamente. Aliás, a fome reina no circo e eles vivem à base de leite de cabra, tapioca e carne de gato. São pobres diabos enfrentando a falta de público, de dinheiro e de condições mínimas de trabalho para manter viva a arte circense.

O filme nos tira risos e lágrimas. O auto, defendido no picadeiro, é sobre Lampião e Maria Bonita que chegam ao inferno humilhando Lúcifer, representante do capitalismo internacional, dando uma conotação política ao texto. Esse teatro, encenado para meia dúzia de pessoas, tenta, em vão, resistir.

O filme joga em nossa cara a morte lenta do circo que foi durante muito tempo a única forma de entretenimento para o povo mais humilde do interior do Brasil. Ao mesmo tempo, mostra, também, a condição do artista brasileiro que encontra insuperáveis dificuldades para mostrar sua arte. É comovente e fascinante ver os palhaços, a cantora, o bufão, a menina se iniciando como mestre de cerimônia.

O grande mérito do filme é nos fazer refletir sobre as dificuldades de se fazer arte por esse imenso Brasil e, também, sobre as mazelas do sistema capitalista. Cariry faz, com maestria, uma homenagem ao universo do circo de forma singela usando um humor caricato.  

O filme, OS POBRES DIABOS, ganhou o prêmio do público de melhor filme no Festival de Brasília de 2013. Chega agora, em 2017, aos cinemas no momento de uma crise profunda que o país atravessa e nos faz refletir sobre o Brasil.


Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

Fortaleza, 17 de julho de 2017




Nenhum comentário:

Postar um comentário