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sábado, 31 de março de 2012

V BINGO DA AMIZADE



















Realizou-se hoje, dia 31 de março de 2012, das 17h às 21h,  na residência de Maria de Lourdes o V Bingo da Amizade, em prol do Centro Cultural Miguel de Arruda, em Baturité. Agradecemos a todos que compareceram, especialmente à tia Malourdes por ter cedido sua residência. Agradecemos aos tios Julieta, Teresa, Eurico e Beatriz por terem prestigiado o evento. Enfim, agradecemos a todos que colaboraram para o sucesso do mesmo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

CONVITE - V BINGO DA AMIZADE

BINGO DA AMIZADE 4ªEDIÇÃO

BINGO DA AMIZADE 4ªEDIÇÃO

BINGO DA AMIZADE 4ªEDIÇÃO

BINGO DA AMIZADE 2ª EDIÇÃO


BINO DA AMIZADE 3ª EDIÇÃO


BINGO DA AMIZADE 1ª EDIÇÃO

BINGO DA AMIZADE 1ªEDIÇÃO

BINGO DA AMIZADE 1ªEDIÇÃO

BINGO DA AMIZADE 2ªEDIÇÃO


BINGO DA AMIZADE 2ªEDIÇÃO

BINGO DA AMIZADE 2ªEDIÇÃO


BINGO DA AMIZADE 3ªEDIÇÃO

 CONVITE - V BINGO DA AMIZADE


DIA:31 de março de 2012
HORA: 17h
LOCAL: residência de Malourdes Arruda Bastos, na Rua Dom Sebastião Leme,  810, Bairro de Fátima, Fortaleza. 


Como das vezes anteriores, a cartela com direito a cinco rodadas do bingo custará R$5,00. Também, estaremos oferecendo comes e bebes a preços especiais.

 Participe, você é nosso convidado! 

O BINGO SERÁ REALIZADO EM PROL DO CENTRO CULTURAL MIGUEL DE ARRUDA, EM BATURITÉ.

segunda-feira, 26 de março de 2012

HOMENAGEM AO CHICO ANYSIO

Rio antigo

(Notato Buzar e Chico Anísio)
Quero um bate-papo na esquina
Eu quero o Rio antigo
Com crianças na calçada
Brincando sem perigo
Sem metrô e se frescão
O ontem no amanhã
Eu que pego o bonde 12 de Ipanema
Pra ver o Oscarito e o Grande Otelo no cinema
Domingo no Rian
Me deixa eu querer mais, mais paz

Quero um pregão de garrafeiro
Zizinho no gramado
Eu quero um samba sincopado
Baioba, bagageiro
E o desafinado que o Jobim sacou
Quero o programa de calouros
Com Ary Barroso
O Lamartine me ensinando
Um lá, lá, lá, lá, lá, gostoso
Quero o Café Nice
De onde o samba vem
Quero a Cinelândia estreando "E o Vento Levou"
Um velho samba do Ataulfo
Que ninguém jamais agravou
PRK 30 que valia 100
Como nos velhos tempos

Quero o carnaval com serpentinas
Eu quero a Copa Roca de Brasil e Argentina
Os Anjos do Inferno, 4 Ases e Um Coringa
Eu quero, eu quero porque é bom
É que pego no meu rádio uma novela
Depois eu vou à Lapa, faço um lanche no Capela
Mais tarde eu e ela, nos lados do Hotel Leblon

Quero um som de fossa da Dolores
Uma valsa do Orestes, zum-zum-zum dos Cafajestes
Um bife lá no Lamas
Cidade sem Aterro, como Deus criou
Quero o chá dançante lá no clube
Com Waldir Calmon
Trio de Ouro com a Dalva
Estrela Dalva do Brasil
Quero o Sérgio Porto
E o seu bom humor
Eu quero ver o show do Walter Pinto
Com mulheres mil
O Rio aceso em lampiões
E violões que quem não viu
Não pode entender
O que é paz e amor

sábado, 24 de março de 2012

REUNIÃO DA FAMÍLIA ARRUDA - 24 DE MARÇO DE 2012



Na frente da E. pra D.: Tetê, Teresa, Eurico Juca e Luiz. Atrás: Isabel, ângela, Regina, R. Luiz, Noemy, Ana Margarida, Edna e Goretti

Na frente da E. pra D.: Tetê, Teresa, Eurico Juca. Atrás: Marcelo, Isabel, ângela, Regina, R. Luiz, Noemy, Ana Margarida, Edna e Goretti


Aconteceu hoje, dia 24 de março de 2012, mais uma reunião dos membros da Fundação Comendador Ananias Arruda. A mesma foi realizada  no apartamento da Goretti e Luiz com a participação de: Julieta, Teresa, Eurico,  Edna, Raimundo Luiz, Ana Margarida, Regina, Tetê, Goretti, Luiz, Isabel, Marcelo, Noemy e Ângela. 
O últimos preparativos para o V Bingo da Amizade foram providenciados.  O BINGO será realizado na residência de Malourdes Arruda Bastos, no dia 31 de março de 2012, às 17h, na Rua Dom Sebastião Leme,  810, Bairro de Fátima. Como das vezes anteriores, a cartela com direito a cinco rodadas do bingo custará R$5,00. Também, estaremos oferecendo comes e bebes a preços especiais. 

O V BINGO DA AMIZADE SERÁ REALIZADO EM PROL DO CENTRO CULTURAL MIGUEL DE ARRUDA, EM BATURITÉ.

 Participe, você é nosso convidado! 

24 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A TUBERCULOSE

ROBERT KOCH

Berlim, 24 de março de 1882. Em uma reunião mensal da Sociedade de Fisiologia, Robert Koch, então, com 38 anos, anunciou a descoberta do bacilo da tuberculose. Estavam presentes naquela tarde histórica: Helmholtz, Löffler, Ehrlich e outros trinta e três médicos. Löffler descreveu, depois, que koch iniciou o seu discurso com certa timidez, já que era a sua primeira apresentação diante de uma assembléia tão distinta, mas, logo, retomou a cadência, relatando suas experiências de maneira segura e serena. 
Quando Koch terminou, a platéia perplexa não o apladiu, porém seus ouvintes, certamente, sentiram o privilégio  de terem participado de uma reunião médica histórica. 
Filho de um engenheiro de minas, nasceu Robert Koch  no dia 11 de dezembro de 1843, em Clausthal na Alemanha. Iniciou os seus estudos médicos em 1862, na Universidade de Göttingen. Em 1866, colou grau em medicina, com uma tese sobre o ácido succínico. Trabalhou durante algum tempo como médico no distrito de  Rakwitz, porém, em 1871, durante a guerra franco-prussiana serviu ao exército alemão. 
Em 1872, trabalhou como médico no distrito de Wollheim. Foi ali que sua mulher lhe deu um microscópio de presente de aniversário. Montou um pequeno laboratório e começou a estudar as enfermidades infecciosas. Descreveu, em 1876, o ciclo vital do bacilo do antrax, demonstrando pela primeira vez que um microorganismo específico era a causa de uma enfermidade determinada. Em 1881, descobriu  o bacilo da tuberculose, mas só o apresentou à comunidade científica no dia 24 de março de 1882.
Em homenagem ao grande cientista, é que hoje comemora-se o DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A TUBERCULOSE.

Ana Margarida Arruda Rosemberg
Fortaleza, 24 de março de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

HELENA PITOMBEIRA: outorga do título de professora emérita da UFC

Entrada solene do reitor, vice reitor e pró reitores da UFC

Entrada solene




Dr. Silvio Furtado e esposa

Dra Celia Cyrino e Dra Emair

Dra Valéria e Dra Ana Margarida

Dr. Marcelo Gurgel e Dr. Álvaro

 

sexta-feira, 23 de março de 2012


DO BLOG DO DR. MARCELO GURGEL

http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com.br/

A Universidade Federal do Ceará realizou ontem à noite, dia 22/03/12, no Auditório Castello Branco, da Reitoria da UFC, a solenidade de entrega do título de professora emérita à Dra. Maria Helena Pitombeira, valorosa docente da Faculdade de Medicina, consagrando, assim, uma trajetória de cinco décadas de bons serviços prestados à própria universidade, como diligente servidora e ocupante de relevantes funções acadêmicas, e ao povo cearense, beneficiário direto da sua atuação no campo da hematologia.
A sessão solene foi presidida pelo Magnífico Reitor Jesualdo Pereira de Farias e contou com a presença do Vice-Reitor Henry Campos e de vários pró-reitores e diretores institucionais, sendo prestigiada pela audiência de cerca duas centenas de amigos e colegas, que guardam, em comum, a admiração pela homenageada.
A saudação à querida hematologista foi feita pelo Prof. Dr. Luciano Bezerra Moreira, diretor da Faculdade de Medicina, sendo subsequenciado pela cuidadosa e bem medida fala da recipiendária, que a todos encantou com o seu discurso. Ao término da solenidade, o auditório foi brindado com uma bela peça oratória de sua magnificência, fazendo lembrar a plaquete “Elóquios Universitários”, que bem documentou a outorga de idêntico título ao Prof. Haroldo Juaçaba.
Para concluir o evento, a Acad. Maria Helena, nossa ilustre confreira da Academia Cearense de Medicina, ofereceu aos convidados um coquetel, marcado pelo requinte e pelo toque de bom gosto da anfitriã.
Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Membro titular da ACM – Cadeira Nº 18

O INSTITUTO N. S. AUXILIADORA – SEGUNDA PARTE: maio, mês de Maria.

Ana , R. Luiz e Goretti
Ana e R. Luiz
Atrás da E. pra D.: Edna, Maninha e Lúcia. Na frente: Ana e Goretti


Em 1958, já alfabetizada, passei para o 1º ano primário do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora, em Baturité.  A Goretti, que era um ano mais nova do que eu, entrou para a alfabetização. Juntas, passamos a bisbilhotar o colégio. Desvendamos a clausura no 3º andar que era vedada para nós, alunas, pois lá ficavam os aposentos das freiras. Um dia, subimos escondidas, entramos no dormitório e vimos uma fila de camas com cortinados.
No 2º andar ficava o dormitório da alunas internas, além da sala de estudos e outras salas de aulas.  As alunas internas usavam um macacão para tomar banho, pois as freiras não permitiam que o corpo, templo do Espírito Santo, fosse tocado. Será que elas tomavam banho assim? Para trocar a roupa era necessário cobrir o corpo com um lençol. Via-se pecado em tudo, até nas unhas pintadas.
Todos os anos, no mês de maio, mês de Maria, havia a coroação de Nossa Senhora Auxiliadora, pelos anjinhos. Tudo era muito fascinante: a roupa de cetim colorida, as asas transparentes com algodão nas pontas, a aureola e as mãos postas. Lúcia, Maninha, Edna, eu e a Goretti éramos anjinhos. No dia 31 de maio, lindo mês da Mãe do Céu, as festividades encerravam-se com a coroação de Maria. O altar era armado e ornamentado com os anjinhos. Um deles coroava a nossa Senhora, sob aplausos e cânticos.
Sempre tive boa memória e, por isso, as freiras me ensinavam musiquetas para eu cantar no palco, nas mais diversas comemorações. Ainda hoje me lembro de uma, em francês:

Où vas-tu Basile sur ton blanc cheval perché?
Je vais à la ville le vendre au marché
Ton cheval claudique mais vois-tu pour t’obliger
Contre une vache magnifique je peux l’échanger

Refrain:
Sitôt dit sitôt fait bonne affaire se dit Basile
Sitôt fait sitôt dit Basile est un dégourdi.

Où vas-tu Basile avec cette vache à lait?
Je vais à la ville la vendre au marche
Ta vache a la fievre la vendre est bien compliqué
Contre ma plus belle chèvre veux-tu la troquer.
Refrain:

Embalando uma bonequinha, lembro-me que eu cantava em italiano.

L’altro gorno mia cara ninna
Mi promessa la bambina  nuova
Oh! Como e bella la bambina mia
Quase quase é piu bella de me.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
São Paulo, 2004.

terça-feira, 20 de março de 2012

STRIPTEASE - RITA HAYWORTH

No filme Gilda, Rita Hayworth faz um striptease que jamais foi superado por qualquer outro. Durante a doença do Rosemberg eu colocava, quase todos os dias, esse trecho do filme para ele assistir, a fim de amenizar seu sofrimento.  Acho que consegui...

segunda-feira, 19 de março de 2012

O INSTITUTO N. S. AUXILIADORA – PRIMEIRA PARTE: alfabetização


Instituto N. S. Auxiliadora das irmãs Salesianas, em Baturité, década de 1950

Instituto N. S. Auxiliadora das irmãs Salesianas, em Baturité, década de 1950

Instituto N. S. Auxiliadora das irmãs Salesianas, em Baturité, década de 1950

Comendador Ananias Arruda, freiras e alunas salesianas.

Alunas salesianas


Era o inicio de 1957. Eu tinha seis anos e, finalmente, ia estudar. Os meus irmãos: Lúcia, Maninha, Edna e Raimundo Luiz já freqüentavam a escola. Vestir aquela farda e ir para o Colégio das Irmãs Salesianas era um sonho muito desejado. Queria aprender as letras e descobrir o mundo maravilhoso dos livros.
Acordei cedinho e ansiosa para estrear a saia azul marinho pregueada, a blusa branca de mangas compridas, a gravata, o sapato preto e as meias brancas que vinham até aos joelhos.  Cartilha, caderno, tabuada, lápis, borracha, caixa de lápis de cor (com as cores do arco íris), dentro da bolsa nova me fascinavam. Ia cursar a alfabetização, pois nos idos de 1950 não existia o pré-escolar. O papai e a mamãe foram, de jipe, nos deixar na porta da escola.
Quando entrei no colégio o coração disparou. Uma freira me deu a mão e levou-me até a sala de aula. As carteirinhas, a lousa (quadro negro), o apagador e o giz. Dentre as coleguinhas, a Tetê, filha da d. Neila, minha primeira amiguinha.  Irmã Lízia, a primeira professora.  Na hora do recreio, o pátio, a merenda, a capela. Aos poucos fui descobrindo todos os recantos e encantos daquele colégio imenso.
O dever de casa era feito com prazer e, logo, logo, aprendi, o ABC. Juntando as letrinhas fui aprendendo a ler. Abriu-se, assim, um mundo encantado, o mundo do saber. Não podia imaginar que esse mundo era infinito e que me daria tanto prazer.
O local do colégio mais marcante era o auditório, pois lá, todos os dias, íamos cantar. Uma das primeiras músicas ensinadas foi o hino nacional. Uma freira, Irmã Nazaré Teixeira, tocava no piano e a gente cantava:
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas.
De um povo heróico o brado retumbante...
Para mim essa música, tão diferente das de roda, era muito difícil de compreender e quando chegava a estrofe:
Do que a terra mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores...
Eu entendia:
Do que a terra Margarida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores ...
Aí, meu coração disparava de emoção por ouvir meu nome assim cantado com tanta melodia, por todas, no hino de meu país.
Outra música que cantávamos com 3 vozes era:
Frère Jacques
Frère Jacques
Dormez-vous?
Dormez-vous?
Sonnez les matines!
Sonnez les matines!
Ding, ding, dong!
Ding, ding, dong!
Mesmo sem nada entender, pois a letra era em francês, a atração foi instantânea pela língua que, ao longo da vida, aprendi a amar e que hoje me dá tanto prazer.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
São Paulo, 2004

sexta-feira, 16 de março de 2012

A CASA DE MEUS PAIS – QUINTA PARTE: as travessuras


Filhos do casal Edgy e Adelina, com primos, primas e amigos, em Baturité.

Lucia, Maninha e Edna com amigas

Filhos da casal Edgy e Adelina com primos e primas, em Baturité.


Na rua 15 de novembro, em Baturité, na década de 1950, tinha uma casa abandonada  que  para nós era mal-assombrada e nos causava grande pavor. Sempre que por lá passávamos,  metíamos o pé em desembalada carreira com medo das almas do outro mundo. A respiração ficava ofegante e o coração quase saia pela boca até virarmos o beco do cine, quando desacelerávamos aliviadas.  Em compensação existiam outras casas que nos acolhiam como se nossas fossem. As opções eram muitas. Recordo-me bem das seguintes: vovó Noemy, tio Ananias, Tiinhas, dona Noemy e seu Edmundo, Laurenice, dona Neila, Mirian, Ângela Brito, Márcia e Mércia, Helena Elba, Roberto Lucena e muitas outras. As portas não tinham trancas. Por isso, em todas elas brincávamos como na casa de nossos pais.
A Lúcia, além do piano, tocava acordeon. A Maninha imitava, mas quase nada tocava. A Edna era a dançarina que sonhava ser um dia uma grande bailarina. E tanto ela pelejou que na ponta dos pés dançou.
O Raimundo Luiz, o mais levado, arranhou com a agulha da radiola do meu pai, um disco raro. Foi um Deus nos acuda quando o papai chegou. Certa vez, ele fugiu do colégio e fez muitas travessuras. Com aqueles olhos verdes, herdados da minha mãe, seduzia qualquer um e era o queridinho da tia Luizinha, tia Rosinha e tio Ananias.
Lembro-me que em um dia resolvemos quebrar a rotina e fomos até a maternidade, eu a Goretti e o Raimundo Luiz, só para bisbilhotar. Como ninguém nos barrou fomos entrando em todos os lugares. De repente, uma visão de tirar o fôlego: uma mulher parindo. Gravei na retina, para sempre, aquela mulher com as pernas abertas pintadas de mercúrio cromo. Uma freira correu e fechou a porta em nossa cara. Ficamos apavorados e com muito medo. Não sei como, mas a mamãe soube da travessura, pois quando chegamos em casa ganhamos uns bolos nas duas mãos. Também, às vezes, brigávamos e nos agarrávamos pelos cabelos, arranhando-nos com as unhas, mas eram brigas de irmãos que logo, logo se resolviam.
Um dia, eu e a Goretti matamos a curiosidade de ver uma mulher nua, olhando pela brecha da porta do banheiro, uma de nossas empregadas tomando banho. Os seios fartos, o sexo cabeludo, a descoberta, o pecado. Nossa consciência pesou e fomos contar ao padre. Para nós tudo era pecado!  
No quintal tinha um tanque grande, pintinhos, galinhas e os pombinhos da Goretti.  No tanque tomávamos banhos inesquecíveis, num canto do quintal fazíamos o guisado em panelinhas de barro. O portão de lado com uma pesada tranca dava saída para o cine beco. Quando chovia mais forte corríamos pra tomar banho de bica. Que banhos maravilhosos! Os barquinhos de papel descendo pelas coxias atiçavam a nossa imaginação. Tudo era festa, alegria e fantasia!
            À noite, depois do jantar, íamos brincar na calçada.  Nas noites de lua cheia contávamos as estrelas, os carneirinhos de nuvens e espiávamos a estrela d’Alva. Depois, começavam as brincadeiras: quem é que tem o anel? Tínhamos que adivinhar. Além dessa, tinha a do grilo. Cadê o grilo? Está lá atrás. Porém, a melhor de todas era a do general. Cada um de nós recebia uma denominação: generalíssimo, general de divisão, general de brigada, coronel, tenente coronel, major, capitão, tenente, sargento, cabo e rapadura melada.
 Generalíssimo passou em revista as suas tropas e sentiu falta do capitão.
-O capitão não falta, quem falta é o coronel.
-O coronel não falta, quem falta é o major.
-O major não falta, quem falta é o general de brigada.
-O general de brigada não falta, quem falta é o tenente coronel.
E assim a noite passava até a hora de deitar.
Tudo era fantasia na nossa infância. Um tempo feliz que permanecerá para sempre, indelével, em  minha memória.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
São Paulo, 2002.

PS: Os dizeres da brincadeira do generalíssimo foram alterados porque a Lúcia e a Edna lembraram-se das expressões usadas na época.